Ações Arte-Educativas


A Arte/Educação é um campo aberto à diferentes enfoques, linhas de atuação, estudos e pesquisas, especialmente àqueles complementares aos processos de aprendizagem e desenvolvimento intelectual. Em meio a diferentes tratamentos conceituais, didáticos e metodológicos, a compreensão que temos sobre a área da Arte/Educação vincula-se essencialmmente com a cultura e o acesso ao conhecimento.Porém no entendimento de que a Arte é de fato uma área de conhecimento, uma construção social, histórica e cultural, potencializadora de um conhecimento estruturador da cognição, deve ela, para isso, ser baseada no interculturalismo, interdisciplinaridade e aprendizagem dos conhecimentos artísticos.

As concepções das práticas Arte/educativas do ICLB - Instituto Cultural Ladjane Bandeira, faz-se a partir da inter-relação entre o FAZER, o LER e o CONTEXTUALIZAR.

São também apoiadas por campos do saber como das TICs - Tecnologias da Interação e Comunicação, da Arteterapia e Filosofia, à luz de diretrizes da Ciência da Informação, a exemplo da importância do acesso e recuperação do conhecimento.

Neste espaço há registros memoriais das ações Arte/Educativas em apoio ao cumprimento da nossa missão institucional. São atividades de apoio à escola formal, em especial aos equipamentos e instituições educacionais e culturais, parceiras do reconhecimento da presença importante da artista Ladjane Bandeira na construção do acervo cultural para a História da Arte de Pernambuco.Porém no entendimento de que a Arte é de fato uma área de conhecimento, uma construção social, histórica e cultural, potencializadora de um conhecimento estruturador da cognição, deve ela, para isso, ser baseada no interculturalismo, interdisciplinaridade e aprendizagem dos conhecimentos artísticos.




07/04/09

DEZ ANOS SEM LADJANE


As pessoas que plantam, em vida, não desaparecem. Ladjane é uma dessas mulheres que marcaram sua passagem pela Terra, através de manifestações artísticas raras de ser reunidas em uma única mente.

Ela condensou em suas idéias e pensamentos o que deixou através de pintura, de escritos e de ações. Tendo como estandarte a pintura, Ladjane manipulava o pincel e as cores de modo vibrante, deixando um legado de quadros que é o retrato fiel de sua competência. Não sou um apaixonado pela pintura, capaz de penetrar nos detalhes técnicos de sua execução ou nos meandros de suas imagens. Porém, tenho a sensibilidade de perceber o traço firme, a idéia vigorosa com que um gesto é exposto ou um grito é sentido.

'O Gesto e o Grito' foi o nome dado a um conjunto de quadros que pintou e expôs a partir de 1980 onde a força da atitude física se alia ao som percebido. O gesto e o grito são manifestações físico-sonoras que pedem o talento de uma Ladjane para se fazerem sentir e ouvir. O traço firme, a fonte oral vista e ouvida na telas dão, ao conjunto, o que a autora desejava. Ali se acham expostas as duas manifestações de força e de som, com a intensidade que a emoção provoca.

Não tive, infelizmente, o privilégio de maiores convívios com Ladjane . Porém meu pai Valdemar e meu tio Alfredo de Oliveira desfrutaram dessa aproximação, através da redação do Jornal do Commercio, onde ela e eles mantinham suas colunas e compartilhavam o espaço físico. Além da pintura Ladjane fez incursões pelas Artes Plásticas, pela Literatura - boa poetisa que foi - Jornalismo e pelo Teatro.

Mantinha uma coluna de Crítica de Arte, tendo sido considerada na 'História da Arte em Pernambuco' como a primeira mulher a registrá-la, em nosso Estado. Escreveu uma peça chamada 'A Viola do Diabo', tendo convidado Alfredo de Oliveira para dirigi-la. Foi montada e exibida no Teatro de Santa Isabel com boa aceitação de público.

Ladjane mereceu ter nascido em Nazaré da Mata. Aos 21 anos transferiu-se para o Recife onde, através de seu talento e de sua simpatia pessoal, construiu a sua tenda artística, pouco a pouco se impondo aos meios culturais locais. Não consigo reproduzir, em emoções escritas, a força de seus quadros, de tal modo a sua personalidade era transmitida nas cores e no pincel. Seus parentes e amigos fundaram o 'Instituto de Educação, Arte e Cultura Ladjane Bandeira', associação sem fins lucrativos onde sua memória é mantida e cultivada. Desde 23 de março de 1999 ela nos deixou, envoltos num manto de saudade, respeito e gratidão.

A Biopaisagem de Ladjane Bandeira em que o conhecimento resulta da transformação da natureza, é um registro tornado realidade por Márcia Cristina de Miranda Lyra. O depoimento que ora presto vem de quem muito a admirou como mulher de fibra e de talento. Sua personalidade a fazia enfrentar sozinha, todos os desafios que uma grande artista pode enfrentar. O modelo de saudade desses últimos dez anos, se perpetuará, sem dúvida, graças aos predicados de que dispunha e à capacidade de fazer amigos que trazia dentro de seu coração.

Agradeço a oportunidade que me é dada, fazendo-a acreditar, mesmo de longe, que teve amigos como eu, admiradores de sua obra e que lamentam, até hoje, não terem usufruído de uma maior aproximação.

Muito obrigado, Márcia, e que a ela seja dado o direito de tomar conhecimento destas palavras.


Reinaldo de Oliveira é escritor e teatrólogo pernambucano.


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